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Vitrine SENAI Moda exibe trajes históricos do São Julhão do Sistema FIERN

Publicado em 30/07/2026

O SENAI Moda abre suas portas para a exposição “Riscando a Faca na Arte: O Tricampeonato do São Julhão”, uma mostra dedicada às indumentárias utilizadas por Nele Nelson Machado, bibliotecário do SENAI, e Suely Rodrigues, professora de costura da instituição.

A exibição celebra a trajetória criativa e vitoriosa da dupla, consagrada tricampeã invicta do concurso de trajes do tradicional São Julhão do Sistema FIERN, realizado no Olimpo Recepções, nas edições de 2024, 2025 e 2026. A conquista é fruto de um trabalho marcado pelo estudo minucioso da indumentária, sigilo cuidadoso e paixão pela cultura nordestina.

Guiado pela reflexão do filósofo Friedrich Nietzsche de que a arte existe para que a verdade não nos destrua, Nele Nelson enxerga na criação artística um refúgio estético diante da rigidez da vida diária, capaz de trazer magia e espontaneidade.

De acordo com o bibliotecário, assumir um personagem permite se despir da própria identidade cotidiana para vivenciar uma nova realidade. “O cotidiano de trabalho na biblioteca e nas salas de aula de costura do SENAI ganhou contornos culturais marcantes a partir dessa proposta, transformamos o que começou de maneira despretensiosa em uma trilogia de identidade e performance”, explica.

A trajetória da dupla teve início em 2024, quando Nele e Suely se vestiram de noivos durante um encontro no sítio da família apenas por diversão. Diante da sintonia e do impacto visual, decidiram levar a ideia ao São Julhão do Sistema FIERN.

Representando os noivos do arraial no salão do Olimpo Recepções, a dupla conquistou os jurados e o público com a confecção da alfaiataria caipira e aplicação de rendas, garantindo o primeiro lugar e dando início à sequência de vitórias.

Em 2025, o projeto do segundo título exigiu dedicação a pesquisas teóricas sobre o tema do Rei e da Rainha do Milho, mantido em absoluto segredo até o momento do evento. A apresentação contou com a entrada da dupla ao som de sanfona ao vivo e declamação de versos em cordel. “Os trajes, desenvolvidos em tons de verde e amarelo com texturas de palha e detalhes artesanais, homenagearam a fartura da colheita e a tradição do sertão, resultando no bicampeonato”, diz Nele.

A consolidação do tricampeonato ocorreu em 2026 com uma proposta inspirada na história do cangaço e nas figuras de Lampião e Maria Bonita. O sigilo sobre a apresentação foi mantido de forma rigorosa, sem conhecimento prévio inclusive da diretoria do SENAI.

A cenografia de entrada no Olimpo Recepções contou com um carro alegórico no qual Nele aparecia sentado costurando em uma máquina artesanal, em referência ao fato histórico de que Virgulino Ferreira confeccionava as próprias roupas, acompanhado por Suely em postura altiva. “A apresentação envolveu fumaça de chumbinho, facas riscadas no chão ao ritmo do baião e figurinos ricos em couro, gibões e bordados, garantindo a terceira vitória consecutiva”, conta.

Mesmo após a conquista do tricampeonato, a dupla já definiu o conceito e o figurino para o São Julhão de 2027. O novo projeto segue mantido em segredo absoluto, dando continuidade à tradição de mistério para a próxima edição do evento.

Jô Lopes – STI – HIT SENAI-RN

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