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Sucesso do GINGA Moda RN é destaque em reunião do Conselho Regional do SENAI-RN

Publicado em 31/07/2026
O GINGA Moda RN promoveu palestras, desfiles, exposição de diferentes marcas do RN e rodadas de negócios ao longo de dois dias | Foto: Luana Tayze

O primeiro GINGA Moda RN foi realizado nesta semana em Natal “cumprindo a missão de apresentar ao Brasil a moda potiguar como uma cadeia produtiva com identidade própria e capacidade fabulosa de gerar negócios, nos diversos elos da atividade”. 

A avaliação foi apresentada nesta sexta-feira (31) pelo diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello, durante reunião do Conselho Regional da instituição, na Casa da Indústria, a sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), na capital do estado. 

“O evento foi um sucesso total”, disse o executivo ao apresentar os resultados aos conselheiros. “Nós tivemos 19 estados presentes, mais de 3 mil pessoas em dois dias, R$ 1,5 milhão em negócios já realizados e negócios futuros da ordem de R$ 4 milhões, em construção pós-evento”, detalhou. 

Realizado nos dias 27 e 28, no Hotel Praiamar Arena, o GINGA foi uma promoção conjunta do SENAI Moda, do SEBRAE-RN e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), com apoio da FIERN, da Associação de Moda do Rio Grande do Norte (AMO-RN), da Associação Seridoense de Confecções (Asconf), do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem em Geral do Rio Grande do Norte (SIFT), do Sindicato das Indústrias de Vestuário do Rio Grande do Norte (SINDIVEST) e do Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Estado do Rio Grande do Norte (SINDIBONÉS). Riachuelo, Instituto Riachuelo, Vicunha, Bonor e Grupo NS foram patrocinadores.

Força

O presidente da FIERN e do Conselho Regional do SENAI-RN, Roberto Serquiz, frisou que “os números do GINGA falam por si só e mostram a força do setor”. “Nós vemos esse tipo de evento como um grande estímulo”, disse ele. “A FIERN está incentivando muito a indústria de transformação, através do SENAI, e a indústria têxtil e de confecções é uma pujante indústria de transformação do Rio Grande do Norte, que gera emprego e oportunidades na região”, ressaltou, para os conselheiros.

Os resultados do evento foram apresentados nesta sexta-feira (31) ao Conselho Regional do SENAI-RN, na Casa da Indústria | Foto: Divulgação / SENAI-RN

O Conselho Regional do SENAI-RN é formado por representantes da indústria, dos trabalhadores da indústria, do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Previdência. A pauta da 5ª Reunião Ordinária do grupo em 2026, nesta sexta, incluiu os resultados da instituição no primeiro semestre e destaque para o evento.

O balanço sobre esta primeira edição mostra a participação de estados de todas as regiões do Brasil. A programação reuniu profissionais do segmento, empreendedores/as, especialistas, estudantes, empresas compradoras, consumidores/as e nomes de referência da moda, do design e da economia criativa brasileira.

A lista de palestrantes incluiu a jornalista Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse – hub criativo que fomenta e promove o talento de marcas e serviços de empreendedores nordestinos – e ex-diretora da Vogue Brasil; a estilista Catarina Mina, fundadora da marca Catarina Mina – referência nacional em moda autoral e produção artesanal – a influenciadora digital e designer Geo Chaves; as estilistas Isabela Capeto e Chica Capeto, fundadoras da marca Capeto; a estilista, designer de moda e empreendedora cearense Marina Bitu, consolidada entre os principais nomes da nova moda brasileira; a pesquisadora de tendências, especialista em estratégias para o mercado de moda e líder de conteúdo da Start by WGSN, Raquel Leão; Chico Gonzalez, gerente de marketing da Vicunha Têxtil, uma das maiores fabricantes de denim e brim do mundo, e Fábio Monnerat, criador de conteúdo,  consultor de branding e estrategista de comunicação para o mercado da moda.

“O GINGA foi um evento excepcional, em que pese ter sido a primeira edição, a gente já começou com um sarrafo muito alto, e juntando os negócios já medidos, realizados durante a feira, e os que estão em construção, devemos bater três ou quatro vezes o número projetado lá no início”, frisou ainda o diretor do SENAI-RN.

“Foi um evento para muitos públicos e que traz, em sua essência, a perspectiva de mostrar ao Brasil o que a moda potiguar tem de melhor. Nós temos uma moda com muita identidade, temos muita gente boa trabalhando, muita marca nova e muita qualidade envolvida. O setor de vestuário, têxtil e de moda, em geral, do Rio Grande do Norte, está de parabéns pelo que apresentou para todo o Brasil com muita substância, muito conteúdo e qualidade”, completou.

Amora Vieira, diretora do SENAI Moda e dos demais Centros de Educação e Tecnologias do SENAI-RN, em Natal, também comemorou os resultados. “Chegamos ao fim desta primeira edição do GINGA Moda RN com a certeza de que a moda potiguar segue fortalecida pela criatividade, inovação e talento de todos que fizeram parte deste evento. Em nome do SENAI, agradecemos aos estilistas, marcas, parceiros, estudantes, às equipes e aos demais públicos que prestigiaram esta edição. O GINGA Moda RN reforça a importância da união entre educação, indústria e criatividade para impulsionar o desenvolvimento do nosso setor”, disse.

Sustentabilidade

Com relação às discussões realizadas durante o evento, um destaque mencionado pelo diretor regional foi o talk show “Sustentabilidade na cadeia da moda”, em que dividiu o palco com o diretor da Bonor Indústria de Botões do Nordeste S/A, Vitor Abreu, o diretor industrial da Guararapes, Jairo Amorim, e o diretor técnico do SEBRAE-RN, João Hélio Cavalcanti. A sustentabilidade foi apresentada por Mello, na ocasião, como meio de agregar valor às marcas da indústria têxtil e de confecções e como parte indissociável dos negócios. “Sustentabilidade gera valor e qualidade de vida”, disse ele, e complementou: “E isso não é possível só com máquinas ou só com um selo quando o produto está na prateleira. Isso é feito passo a passo por pessoas que operam a compra do tecido, que fazem a compra dos insumos, que operam a máquina de corte, a máquina de costura, que operam as lojas… e para que isso se mantenha tendo valor agregado e crescente a cada processo em que essa peça passa, essas pessoas precisam estar qualificadas”.

O SENAI, observou o diretor, tem colaborado em diversas frentes, nesse sentido, com empresas que compõem a cadeia produtiva. Desde 2024, a instituição registrou no estado mais de 23 mil matrículas em formações nas áreas têxtil, de vestuário e, por exemplo, em design de moda. “Só neste ano foram mais de 5 mil. São pessoas que estamos formando para gerar essa qualidade de vida. A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, através do SENAI, busca fazer isso todos os dias”, acrescentou ele. “Não existe vida e empresa sem sustentabilidade. Isso é parte do negócio, para que tenha valor e vida longa”.

As indústrias, por sua vez, apresentaram exemplos diversos de como a sustentabilidade está inserida nas atividades que desenvolvem. Na Bonor, disse Vitor Abreu, essa preocupação está em todas as linhas de produtos que saem da fábrica, o que inclui, por exemplo, matérias-primas reaproveitadas de outras indústrias, como coco e casca de madrepérola, até o processo produtivo livre de substâncias como chumbo e cobalto. “Todas as linhas da Bonor contêm esse pé na sustentabilidade”, reforçou.

Jairo Amorim, da Guararapes, frisou que “fazer sustentabilidade não é questão de tendência, de modismo”. “É algo que está no nosso DNA, uma premissa em tudo o que a gente faz”.

Ele citou investimentos em tecnologias para reduzir o consumo de água no processo produtivo, além de projetos como o AgroSertão, do Instituto Riachuelo, que fomenta a produção de algodão agroecológico, e o Pró-sertão, que viabilizou a estruturação e a capacitação de pequenas oficinas de costura em diversos municípios potiguares – em parceria com o SENAI-RN, o SEBRAE, o Banco do Nordeste e o governo do estado – para atuarem como fornecedoras da companhia e de outras empresas do setor. “Esse programa nasceu em 2013 e provocou uma transformação nas cidades. Das 40 milhões de peças que produzimos (na Guararapes), 14 milhões são feitas no Pró-sertão”, disse Amorim.

O diretor técnico do SEBRAE-RN destacou como a instituição tem atuado junto a empresas do setor, afirmando que esse papel vai desde  “o apoio ao sonho, à ideia do negócio”, passando por etapas como plano de negócio, formalização, acesso a mercados e perspectivas que ajuda a abrir para estreitar o relacionamento com compradores do Brasil e de fora.

Talentos

Alunos e alunas concluintes do curso técnico em Design de Moda, do SENAI Moda (na imagem), apresentaram o desfile “Do Oceano ao Solo”, com as coleções que desenvolveram ao longo da formação | Foto: Wendell Guilherme

A programação do evento contemplou desfiles nos dois dias, incluindo o “Do Oceano ao Solo”, em que a relação entre natureza, sustentabilidade e inovação foi explorada pelos alunos concluintes do curso técnico em Design de Moda, do SENAI Moda. Foram dez marcas desfiladas pelos novos talentos da moda potiguar, que desenvolveram os trabalhos ao longo dos dois anos de curso.

Unindo técnica e empreendedorismo, cada proposta revelou a visão de mercado e a sensibilidade de seu criador, explorando desde o upcycling e a ressignificação de materiais até narrativas sobre impacto ambiental, inovação têxtil e a riqueza cultural potiguar.

Outro destaque foi a final do concurso GINGA Novos Talentos da Moda, lançado este ano pelo SENAI-RN. A coleção Tramas de Campo Aberto, da equipe do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), foi a grande vencedora, representando a construção da mulher gaúcha, entre origens, permanências e rupturas, inspirada na obra O Tempo e o Vento, do escritor gaúcho Érico Veríssimo.

Ao todo, seis equipes, de diversos estados brasileiros, desfilaram suas coleções no evento, como finalistas do concurso. O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), que uniu a delicadeza da técnica milenar de pintura chinesa Xieyi com a grandiosidade da Serra da Canastra, na coleção Tesouro da Serra, conquistou o segundo lugar, e a Escola Cidadã Integral Técnica da Paraíba, o terceiro, com a coleção Raízes da Resistência, que celebra a cultura quilombola com looks que valorizam a ancestralidade, a resistência e a continuidade dos saberes tradicionais.  

Texto: Renata Moura

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