Diretor do SENAI-RN projeta ‘revolução econômica’ com energia eólica offshore

9/07/2025   16h53

Análise foi realizada durante entrevista do diretor, Rodrigo Mello, à rádio 91.9 FM

 

“A gente imagina que vai ter uma revolução econômica no Rio Grande do Norte e, em especial, nos municípios costeiros”, disse, nesta quarta-feira (09), o diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, ao comentar os impactos previstos com a energia eólica offshore, em entrevista à rádio 91.9 FM (Clique aqui para acessar).  

 

“Do ponto de vista de geração de empregos, o ambiente offshore, pelos levantamentos do que acontece no mar da China e no mar do Norte, demanda mais pessoas do que o ambiente onshore (em terra) para a construção e a operação das usinas”, acrescentou. “Então a gente espera que, com investimentos muito maiores dessa vez, sejam beneficiados os municípios costeiros, mas com a infraestrutura de logística, de operação, de prestação de serviços se dando no estado todo e na região como um todo”, ressaltou ainda.

 

O SENAI-RN recebeu, em 24 de junho, a primeira licença ambiental do país para um projeto nessa nova fronteira. Agora, se prepara para lançar um edital multiclientes – com o objetivo de atrair investidores – e para iniciar, também, a primeira pós-graduação brasileira voltada à formação de especialistas no setor. O curso será promovido pela FAETI, a Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais da instituição.

 

“O SENAI já está  trabalhando em algumas ocupações, em alguns perfis (profissionais) para o ambiente offshore e, do ponto de vista inovador, a FAETI, que criamos para fortalecer o setor, está lançando de forma pioneira essa pós-graduação na área”, frisou o diretor. “Então, assim como fizemos em 2010, lançando a primeira pós-graduação em eólica onshore, agora estamos fazendo isso com foco no offshore, para preparar as pessoas que querem trabalhar nessa indústria”, complementou ainda ele.

 

Projetos

Dados atualizados em março pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram 104 complexos eólicos offshore com processos de licenciamento abertos no órgão, com potência somada de 247,3 Gigawatts (GW) e um total de 16.178 aerogeradores. Da potência total prevista, 45,70% estão cadastrados para a região Nordeste, 34,12% para o Sul e 20,18% para o Sudeste. 

 

O projeto do SENAI, uma planta-piloto que funcionará como “Sítio de Testes” para a realização de estudos e o desenvolvimento de tecnologias que ajudem a subsidiar investimentos do setor,foi o primeiro do país a receber licença prévia.

 

O empreendimento será instalado no mar de Areia Branca – município a 330km da capital potiguar, Natal, e, segundo Mello, gera um caminho a ser trilhado pela atividade offshore – para que possa se instalar de forma mais segura e com o menor impacto possível no país. “É a quebra de gelo, o primeiro passo para que a indústria inicie de forma comercial no Brasil”, avalia ele.

 

O ISI-ER, braço do SENAI à frente do projeto, prevê a instalação de dois aerogeradores, com potência somada de 24,5 Megawatts (MW). O Sítio ficará a uma distância de 15 a 20 quilômetros da costa e a uma profundidade de 7 a 8 metros no mar – a 4,5 km do Porto-Ilha de Areia Branca, principal ponto de escoamento do sal produzido no Brasil. A expectativa da instituição é que o início da operação ocorra em até 36 meses.

 

De acordo com o projeto, a energia gerada pelos aerogeradores vai abastecer o Porto-Ilha de Areia Branca, com a ajuda de cabos submarinos que irão transportá-la até uma subestação no terminal – Imagem: Divulgação ISI-ER

 

A região escolhida como sede do projeto é considerada rasa e, segundo estudos desenvolvidos pelo ISI-ER, está distante de recifes de coral e das tradicionais zonas de pesca. A energia gerada vai abastecer o Porto, substituindo o uso de combustíveis fósseis na operação do terminal, com a consequente redução das emissões de gases do efeito estufa.

 

A licença prévia concedida pelo Ibama tem validade inicial de cinco anos e antecede a licença de instalação – cuja emissão é esperada pelo SENAI no prazo de 12 a 18 meses.

 

Do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, o Sítio de Testes terá o objetivo de analisar o desempenho dos equipamentos de geração de energia eólica offshore em condições do mar equatorial brasileiro. Segurança e função, desempenho de potência, cargas mecânicas, ruídos, suporte e afundamento de tensão, além de qualidade da energia poderão ser avaliados na área.

 

Além disso, o objetivo é estudar, entre os aspectos fundamentais, se a instalação de usinas eólicas offshore provocará alterações no comportamento dos animais marinhos e das aves, mudanças na flora marinha, no fundo do mar, nas atividades existentes na área, na geração de empregos, no potencial crescimento da economia, além da necessidade de cursos profissionalizantes.

 

SAIBA MAIS – EMPREGOS

A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) estima que o setor vai precisar de 17 postos de trabalho para cada Megawatt (MW) instalado no mar, considerando projetos com vida útil de 25 anos. No Rio Grande do Norte, onde os complexos cadastrados no Ibama têm, em média, 1.905 MW, o número corresponderia a mais de 32 mil empregos. Para efeito de comparação, nos parques eólicos em terra, são criados, segundo a associação, 10,7 empregos por Megawatt. 

 

Texto: Renata Moura

Imagem: Reprodução YouTube

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