Curso de salgados do SENAI-RN, SINDIPAN e APABB forma jovens atípicos em Natal
A cozinha da Unidade Móvel do SENAI Rio Grande do Norte transformou-se em palco de superação, autonomia e descoberta de talentos. Na última quarta-feira (5), foi encerrado em Natal o curso de produção de salgados voltado para jovens atípicos e pessoas com deficiência (PCD). A ação foi fruto de uma cooperação entre o Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI), a Associação de Pais e Amigos para Apoio de Pessoas com Deficiência (APABB-RN) e o Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do RN (Sindipan-RN), contando ainda com o apoio de empresas parceiras do setor alimentício.
O projeto, que buscou unir qualificação profissional e inclusão social, preparou os alunos para os desafios do mercado de trabalho e para o empreendedorismo, promovendo um ambiente de aprendizado adaptado e acolhedor.
Para os formandos, a experiência prática na cozinha marcou a rotina com entusiasmo e novos aprendizados. O aluno Judson Ryan resumiu a vivência de forma simples e direta. “Gostei do curso, foi bom e gostoso aprender, brincar e comer. Foi muito bom.”
A aluna Lívia Macedo comemorou as receitas que aprendeu durante as aulas. “Aprendi a fazer pão, pão de queijo, comida. Gostei, bonito e bom pra nós”.
Já Larissa Rocha destacou o cuidado no preparo dos alimentos e a satisfação de ver o resultado do trabalho. “Eu amei o curso, aprendi muita coisa na prática, como o caldo e os pães. E foi muito interessante a gente pegar o ponto gostoso de ficar. E também um pouco da mão na massa.”
Para outros alunos, o curso representou um momento de integração social e celebração comunitária. “Gostei. Surpresa hoje aqui muita gente. Gostei muitos salgados. Nós aprender muito aqui”, contou o aluno Paulo Henrique.
O sentimento foi compartilhado por Lucas Matheus, que também valorizou o contato direto com a culinária. “Eu também gostei botar mão na massa, aprender salgado. Gostei bastante.”
Já Frederico Augusto, que já possui formação em Gastronomia, destacou o carinho e o apoio que recebe da rede familiar durante a sua jornada de aprendizado. “Eu faço comida e eu tenho gostado de fazer. Eu sou formado e tenho uma família boa. Eu tenho meus tios, minhas tias e meus primos bem. Gostei do curso, foi ótimo aqui com todos”.

Inclusão, empreendedorismo e combate ao capacitismo
O estímulo ao empreendedorismo e ao fortalecimento de laços familiares foi um dos pilares do curso. Segundo a gerente da APABB-RN, Alessandra Romualdo, a capacitação abre portas para além do emprego formal tradicional.
“O curso é importante até mesmo para que eles possam se desenvolver e pensar também no empreendedorismo. Hoje em dia a gente fala muito da questão da inclusão do mercado de trabalho, mas empreender também uma forma de inclusão. Então, naquele momento em que a mãe e o filho estão ali fazendo o seu pão de queijo, a sua torta, entre outras coisas, aquelas delícias que foram ensinadas pelo Chef Rufino, pela instrutora Rose. Então, o SENAI sempre foi pioneiro aqui no Rio Grande do Norte em cursos inclusivos, sempre acolheu pessoas com deficiência, sempre adaptando às necessidades. Eu lembro que há anos atrás, quando nós falávamos em inclusão, muitas vezes Geiza, a instrutora fazia as adaptações conforme a gente ia falando das características dos nossos anos”, conta Alessandra.
Para a assistente social do Núcleo APABB-RN, Daliana Duarte, a iniciativa representa uma ferramenta fundamental no combate ao preconceito e na afirmação de direitos das pessoas com deficiência.
“A minha avaliação do curso é extremamente positiva, mais um curso de sucesso em parceria com o Senai, onde mais uma vez a gente teve a oportunidade de oferecer aos nossos atendentes e suas famílias uma atividade de geração de renda e muito além disso, mais uma oportunidade de fortalecimento de vínculos entre eles, entendendo que a pessoa com deficiência tem o direito ao trabalho, a uma formação profissional, mas além disso ela tem direito também de fazer o que deseja. E o curso proporcionou mais um tempo onde a gente tem pessoas com deficiência e sem deficiência, mostrando aí, combatendo o capacitismo, mostrando mais uma vez que a pessoa com deficiência é capaz de fazer qualquer coisa que desejar.”
Sinergia com o setor produtivo
A integração entre as entidades de classe e as indústrias alimentícias garantiu o suporte necessário para a realização das atividades práticas. O presidente do Sindipan-RN, Ivanaldo Maia, reforçou a relevância da aliança estratégica entre o setor produtivo e as causas sociais.
“Essa é uma parceria muito importante para o segmento da panificação, porque, além de contribuir para a qualificação profissional, também promove uma ação inclusiva. Contamos com a parceria do Sindipan, da APABB e de empresas como M. Dias Branco, Moinho Cearense, Tempero Sadio e Bunge Alimentos. É uma iniciativa muito relevante, pois estamos criando oportunidades e, no futuro, essas pessoas poderão inclusive ingressar no mercado de trabalho por meio da contratação de pessoas com deficiência (PCD)”, destaca o industrial.
Compromisso institucional e emoção no ensino
A condução pedagógica e o compromisso do SENAI-RN com a acessibilidade e metodologia foram essenciais para o sucesso do projeto. Geiza Revoredo, supervisora pedagógica do SENAI-RN, reforçou a atuação do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI).
“Essa ação, além de fortalecer a inclusão, o vínculo ao mercado de trabalho, ela também traz oportunidade para que eles descubram seus talentos. Nós escolhemos a área de alimentos para fazer esse primeiro trabalho, mas pode entrar em outras áreas também, como educação profissional. Nós estamos com essas possibilidades junto ao PSAI para incluir pessoas para o mercado de trabalho. O Programa Senai de Ações Inclusivas existe já há muitos anos no Senai no Brasil inteiro. E durante o ano nós temos um cronograma para ofertar junto com as instituições que trabalham com ação inclusiva também”, enfatiza.
Na linha de frente da sala de aula, a emoção tomou conta dos instrutores. O instrutor do SENAI, Chef Rufino, ressaltou o impacto transformador da qualificação profissional.
“Eu fico muito emocionado. É um projeto maravilhoso, extraordinário, porque dá a oportunidade de as pessoas aprenderem, se desenvolverem e mostrarem todo o seu potencial”, comemora o chef Rufino.
Com a conclusão da turma, o SENAI-RN e seus parceiros reiteram o compromisso de continuar ofertando oportunidades contínuas de capacitação inclusiva ao longo do ano, integrando a educação profissional, o setor industrial e a cidadania.
Texto e fotos: Jô Lopes – STI – HIT SENAI-RN – UNICOM SISTEMA FIERN



